11 de setembro de 2017

Quando eu escrever sobre a loirinha



Quando eu falar da loirinha,
agora,
espero que compreendam que não mais falo da loirinha,
a primeira loirinha,
e sim da loirinha outra, a outra loirinha
de agora.
Quando eu falar da loirinha,
agora,
espero que não distorçam por confusão,
porque são loirinhas demais a serem escritas e meu coração
(embora não bandoleiro)
costuma amolecer como quando viril ferramenta, traída, anuncia chegada diante de novas e deslizantes entradas.

(prepare
esforçada
interpretação.
volte
e
retorne,
se
amar
uma
loirinha)

Loirinhas poderiam confundi-lo por uma vida inteira e eu até entendo (e até recebo e-mails educadamente ameaçadores) quando as fictícias loirinhas de páginas antigas pensam que são elas as mencionadas loirinhas nas linhas de agora ou quando recebem
sussurros,
pobres,
errados,
que são elas as loirinhas mencionadas embora sejam apenas loirinhas distantes de prateados cabelos um dia loirinhos, tão loirinhos, por terem ficado atrás nas comparações ficcionalmente construídas como loirinhas antes corretas, mas loirinhas hoje erradas.
Loirinhas
confusas
confundem leitores e espalham notícias equivocadas que dão-me dor de cabeça e dor de cabeça à cabeça não perder enquanto desfaleço em respostas duras e maturidades não evoluídas, porque
estas
amáveis
loirinhas
confundem leitor fantasma-desavisado e arauto-da-fofoca
[faminto disse-me-disse]
por embalos quentes em panelas já ralas e vazias de frio
passado e destino.
Por loirinhas erradas que pensam ser loirinhas certas que são as certas e não as erradas, escrevo palavras desmedidas estrutural-
mente sem sentido, loirinha.
Escrevo para leitor certo que se perde e volta
e sabe que há algum sentido nestas quebras de linhas e nestas loirinhas certas que não são as
erradas e que são as loirinhas certas
que não merecem a confusão deixada por
equivocadas loirinhas
perdidas.
Há um sentido mesmo para quem julga tecelagem sem sentido.
Há sentido nas linhas mesmo as intencionalmente
confusas
para leitores errados, que ignoro e relevo,
[que quero enganar]
que dirão eles às erradas loirinhas que são para elas as
quebradas linhas.
Mas se leitor esperto não se deixar levar por vil intriga e finalmente com
sapiência nata  
superar os males da péssima interpretação, com paz para si e para as certas loirinhas, saberá que, das loirinhas erradas, palavras desconexas e tecidas especialmente confusas foram montadas para ser contada
uma
única
história, a mais antiga delas:
todos os homens escrevem sobre loirinhas, mas, por favor, que apenas as loirinhas certas leiam (e não compreendam nada d)o que aqui foi
tecido,
e não as loirinhas erradas ou seus
arautos sedentos
que julgam encontrar sentido correto em suas
(in)sapientes interpretações,

porque as loirinhas erradas dão-me dor de cabeça,
mas
 as loirinhas corretas,
ah, as loirinhas corretas...

essas
nem sequer
saem dela.


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